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Ansiedade: quando a mente não para | O que é e como se manifesta


A prevalência das perturbações da ansiedade tem vindo a aumentar, segundo a Organização Mundial da Saúde entre 2005 e 2015 o número de pessoas que sofrem de ansiedade aumentou 14,9%, para tal muito terá contribuído o ritmo acelerado da sociedade que nos exige que sejamos cada vez melhores, mais competentes, mais criativos e com capacidade constante de nos superarmos.


Esta constante pressão para fazer sempre melhor e mais pode causar um sofrimento significativo na vida das pessoas interferindo em diferentes áreas da sua vida e comprometendo o seu desenvolvimento, qualidade de vida, equilíbrio e bem-estar, potenciando ansiedade.


A ansiedade pode ser definida como: “(...) sentimentos de tensão, apreensão, nervosismo e preocupação, associados a uma excitação fisiológica resultante da ativação do sistema nervoso autónomo (...) variando esta reação com o grau percebido da ameaça” (Spielberger &; Vagg, 1995, p.6 cit. In Rosário et al, 2004).

Quais os sintomas?

A ansiedade apresenta sintomas muitos diversos que podem ser agrupados em sintomas somáticos como: dores abdominais, taquicardia, palpitações, dificuldade em respirar, tremores, tensão muscular, náusea, sensação de sufoco; sintomas cognitivos como dificuldades de concentração, hipervigilância, medo de perder o controlo; sintomas comportamentais como: isolamento e evitamento e sintomas emocionais como medo, apreensão, irritabilidade e impaciência.


Todos nós já sentimos ansiedade em algum momento das nossas vidas (ex: antes da realização de um exame, no primeiro dia de trabalho, etc) e, é normal sentirmo-nos mais alerta perante um novo desafio ou uma tarefa mais exigente, é essa ansiedade adaptativa que nos deixa alerta perante situações novas e/ou ameaçadoras e atentos ao pormenor na análise da situação, na avaliação da “ameaça”/desafio, na procura da solução e nos prepara para a superação do desafio ou recusa no caso de uma situação realmente ameaçadora.



Quando a mente não para.

O problema é quando vivemos em constante tensão e preocupação, nestes casos a ansiedade ao invés de ser protetora revela-se patológica/desadaptativa e, apresenta-se com uma frequência e uma intensidade desproporcional às exigências da situação de “ameaça” e passa a interferir com as áreas de desenvolvimento da pessoa: trabalho, escola, família e relações interpessoais causando sofrimento, limitando e comprometendo a sua ação.


Quando não se consegue “desligar a mente” estando permanentemente alerta, em que as preocupações brotam sempre para atormentar, os receios, os medos, as apreensões que não desaparecem da mente e somos aprisionados por uma “tortura” de um sem fim de questões internas: o medo de não saber se vai dar certo, o receio de ser rejeitado, de não agradar, de não conseguir alcançar os objetivos, de não saber responder perante uma determinada situação leva-nos a um grande sofrimento e consequente exaustão. Assim, se a frequência e intensidade dos sintomas ansiosos se mantiverem por um período de tempo considerável e, com impacto na sua vida deve considerar procurar ajuda de um psicólogo.


Mesmo durante as atividades de lazer a mente das pessoas que sofrem de ansiedade não pára; quando estão de férias, ou com a família e/ou amigos, momentos que deveriam ser agradáveis, de prazer e de diversão, não conseguem “desligar a mente” deste turbilhão de preocupações e questões internas e aproveitar o momento para relaxar e recuperar o equilíbrio. Assim, é importante ter em consideração que as pessoas que sofrem de perturbações de ansiedade vivem assoberbadas e, que esta preocupação constante em relação a tudo não lhes dá espaço, não lhes permite viver no aqui e agora. Vivem, sim em função da ansiedade e, portanto, prisioneiras desta. A ansiedade tem a capacidade de tornar a realidade pior do que de facto ela é, as coisas/situações parecem piores, mais difíceis, mais exigentes quando estamos dominados pela ansiedade.


Por isso sejamos mais cautelosos, cuidadosos, atentos, disponíveis, mais compassivos e compreensivos para com as pessoas.



Sílvia Campos

Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica e da Saúde RUMO




Referências


American Psychiatric Association. (2000). Diagnostic and statistical manual of

mental disorders (4th ed., Text revision). Washington, DC: Author;


Baptista, A. (2000). Perturbações do medo e da ansiedade. Uma perspetiva

evolutiva e desenvolvimental. In I. Soares (Ed.), Psicopatologia do desenvolvimento.

Trajetórias (in)adaptativas ao longo da vida. Coimbra: Quarteto;


Heldt, Elizeth. Et al. (2013). In E. Konkiewitz. Ansiedades, Medos e Preocupações:

Transtornos de ansiedade na Infância e Adolescência. In Aprendizagem,

comportamento e emoções na Infância e adolescência: Uma visão transdisciplinar.

Dourados: Editora UFGD;


Rosário, P. et al (2004). Ansiedade face aos testes e auto-regulação da

aprendizagem: variáveis emocionais do aprender. Psicologia e Educação. Vol. III, nº1

(pp. 15-26)

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