Ser Imigrante: o que ninguém te diz sobre a nova identidade

Antes de mais nada, quero pedir desculpas por usar o português brasileiro (PT-BR). Em relação ao português europeu (PT-PT) estou em fase embrionária, tenho muito a aprender e considero uma língua diferente, ainda que irmãs. Qualquer dúvida, pode perguntar!


Meu nome é Ana Dunlop, sou Psicóloga, nascida no Rio de Janeiro (Brasil) e resido em Lisboa há 7 meses. Os motivos pelos quais as pessoas decidem deixar o país de origem são os mais variados possíveis. Seja por buscar uma melhor qualidade de vida, seja para ampliar seus conhecimentos, seja para viver uma experiência nova, seja porque seu país de origem já não é mais adequado e por aí vai.

Eu tinha uma fantasia sobre essa decisão, acreditava que era fácil. Imaginava: “Estou insatisfeita com o meu país, não me sinto segura nele então arrumo minhas malas e mudo para outro país.” Fácil de ser falado, não é? Porém a prática é muito difícil, talvez uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida. Deixamos pra trás nossas famílias, amigos, nossa casa e toda uma vida construída ao longo dos anos que temos de idade. Deixamos pra trás nossa história, nossa identidade.

Quando ainda estava nos últimos períodos da universidade, escolhi identidade como tema do meu trabalho de conclusão de curso. Na verdade o tema principal era sobre identidade de gênero, mas não deixei de abordar, de forma geral, aquilo que nos define. Tomo aqui a liberdade de usar um pequeno trecho do meu trabalho pra explicar melhor o que quero dizer.

“É possível afirmar então que a identidade é a soma de todas as normas, regras, valores, conceitos e pensamentos que o indivíduo assimila na interação com o outro, e ao mesmo tempo em contraponto, ao conhecimento de si mesmo, a autopercepção.”

Numa situação cotidiana, quando nos apresentamos para alguém que ainda não conhecemos normalmente dizemos nosso nome, idade, profissão (ou aonde estudamos) e aonde moramos. Depois de algum tempo de conversa é que características mais subjetivas aparecem ou são perguntadas.

Ao nos tornar imigrantes, algumas dessas características básicas de nossa identidade são deletadas (como a freguesia aonde moramos, por exemplo) e uma outra nova, em letras grandes e brilhantes nos é acrescentada: ESTRANGEIRO. Isso, como dizemos no Brasil, não tem jeito! Não tem como mudar ou disfarçar. Nossas feições são diferentes, nossa forma de falar é diferente, assim como a nossa cultura e comportamento.


"Não nos sentimos mais pertencentes a lugar nenhum. Nem de onde viemos, nem aonde estamos e também com uma incerteza de pra onde iremos no futuro."

Nossas referências primordiais são perdidas. O mais recorrente (deixo aqui claro que há exceções) vamos para um novo lugar aonde ninguém nunca ouviu falar de nós, não existe ninguém da nossa família, nenhum amigo reside e algumas vezes, mudamos para um sítio aonde nunca fomos antes.