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Saúde Mental e bem-estar emocional em 3 passos

Atualizado: 24 de Mai de 2019

Vivemos atualmente, numa realidade onde, não raras vezes temos incapacidade de parar e fazer estes 3 passos:

(1) Reconhecer. Reconhecer que nem tudo o que é doença terá de ser fisiológico. Não precisamos de continuar a colocar a cabeça na areia, qual São Tomé, que teve de ver para crer. Além do mais, porque cada vez há mais estudos científicos de especialidades várias que trabalham com foco no saber mais de saúde mental.

(2) Identificar. Precisamos saber identificar. Quanto mais não seja, precisamos saber identificar quem saiba identificar. Se temos um sapato estragado ou com a sola gasta, não vamos levar o mesmo ao relojoeiro. Se temos uma dor de dentes, não vamos ao ortopedista. Se queremos pão para comer, não tentamos encontrar o mesmo na peixaria. Somos excelentes seres a identificar e a repetir padrões. Aprendemos a fazê-lo desde que nascemos. Sem nos darmos conta, temos a cultura a entrar-nos maternidade adentro, ou na verdade, até antes, e sem que saibamos sequer o que significa o conceito de aprender, aprendemos a repetir. Aprendemos o código, o tornamo-lo habitus. Ora, então se o fazemos tão bem, qual a razão para não sabermos identificar que para algum mal-estar do foro mental, os profissionais que podem ajudar são, por exemplo, profissionais da área da psicologia ou da psiquiatria. Haverão mais. Cada pessoa, deverá escolher que tipo de atividade profissional será a melhor para si. Mas a premissa há-de ser sempre a mesma. Pessoas certificadas. Pessoas que apresentem credenciais e que sejam honestas e justas, quer para consigo, quer para com os seus clientes. Pessoas que mostrem estar atentas às novas tendências da área da saúde mental e que se capacitem com novas formações, que estejam atentas à investigação e até que possam publicar cientificamente algumas das suas ideias. Assim, será possível que essas pessoas nos ajudem a identificar. Identificar pode ser tanto mais difícil quanto a invalidade da técnica. O jeito pode ser muito, mas qual a validade de diagnóstico A ou B se foi feito com base no "achismo" e na adivinhação? Identificar requer precisão para quanto mais não seja calibrar as expectativas do passo seguinte.


(3) Intervir. Lutar com todas as forças para passar por cima de estereótipos que ainda temos e que nos rodeiam. Poder dizer a alto e bom som que não se pode ir aquela reunião às 16:30 de sexta-feira porque se tem uma consulta de psicologia. Assim. Sem tirar nem por. Da mesma forma que deveria fazer sentido poder dizer-se que na quarta-feira se vai sair mais cedo porque há a reunião dos filhos e a mãe não pode ir. Igual a dizer para a semana há-de haver um dia que vou fazer uma hora de almoço maior para tratar do cartão do cidadão ou para passar no dentista. São coisas normais. Não será necessário nem expectável que se fale da razão. Isso é pessoal. Não interessa a ninguém sem ser a nós próprios. Eventualmente vão surgir ideias de que se fala sobre o que poderá ser. Mas quem fará isso, não tem, na maioria dos casos, espelhos em casa. Intervir é gostar mais de nós. É acharmos que somos importantes. Não é um direito que temos e que deveríamos todos reclamar. Intervir é, no limite, um dever de cada pessoa. E que, apenas a cada pessoa, dirá respeito. Haverão com certeza, vozes que não percebem.


Essa é tarefa do passo seguinte, que é opcional...

(4) Promover. Promover local, pensando global. Se pudessem todas as pessoas ser advogados da luta contra o estigma da saúde mental, tenho a certeza de que estaríamos bem mais à frente do que estamos atualmente. Se cada pessoa promover a discussão num grupo de 3 pessoas, nesse momento são 4 a falar sobre o tema. Isso observado de forma exponencial, seria a forma de começarem a existir dúvidas sérias. Dúvidas que possam ser respondidas por pessoas especialistas. Dúvidas em vez de medo e ignorância. O grande problema em qualquer tema que se observe estigma não é a incapacidade de perceber, mas sim a ausência de curiosidade, de questionar e desafiar. O vírus HIV é um fácil e forte exemplo desta ausência de questionamento. Na verdade, se todas as pessoas tivesse possibilidade de discutir temas relativos à saúde mental no seu dia-a-dia, e tivessem possibilidade de questionar e obter respostas de forma fácil e válida, os números que os estudos indicam (1 em 4 portugueses sofre ou está em risco de sofrer de doença mental) iriam, com certeza, baixar. Assim como as estratégias a nível pessoal e organizacional seriam implementadas cada vez com mais força, obtendo-se retornos substanciais (financeiros e emocionais) nos resultados que se observariam.

Não será fácil. Mas não é impossível.

Uso o termo doença mental em prol de explicar a ausência de bem-estar emocional, assim como ligado ao término que a OMS tem vindo a usar. A discussão sobre a existência ou não de doença mental e qual o melhor conceito, fica para outra vez.



Francisco Valente Gonçalves

Diretor não executivo e Co-fundador RUMO

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