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Quem sou? Para onde vou? E onde pertenço?


Emigrar levanta o pó do que levamos como garantido na nossa vida, e que não questionamos.

Já foi referenciado as nossas experiências pessoais neste blog de sair do país, e ir à aventura ao mundo. Também referenciamos os impactos pessoais de sair, no entanto, existe alguns conceitos que se calhar podíamos explorar- não numa perspetiva de interesse literário e artístico, mas como um “handbook” para um que pretende sair do país.



Existem vários conceitos, tais como:

Migração- ato de sair de uma zona de residência, seja migração interna (no próprio país) ou externa (para fora do próprio). Esta pode ser:

Migração forçada/imposta- ato de sair de um país, por razões de força, são obrigadas a pedir estatuto de refugiado por situações de guerra, catástrofe natural, catástrofe por mão humana, perseguição religiosa, etc.

Migração financeira ou académica- ato de sair de um país por razões de escolha pessoal, na procura de progressão de carreira ou académica.

Migração existencial- Procura não específica de sair do país, por uma vontade desesperada de sair da repetição da rotina do dia-a-dia, por querer ver o mundo, e por sentirem que a antiga “casa” tem um clima opressivo. Na procura de um sítio onde se “pertença” mais.

Síndrome de Ulisses: Sintomas semelhantes à depressão e à ansiedade, mas como resposta a alteração de um sistema de vivência, de alteração linguística, e de estímulos, que normalmente avassala um individuo.


O que esperar quando se emigra?

Os primeiros tempos são os piores, é normal experienciar vários tipos de respostas emocionais. Desde um “choque” como se uma bomba tivesse explodido, um cansaço constante, humor irritável, vontade de fazer coisas mais “arriscadas” que não se faria em Portugal, sentir-se isolado (até pela questão linguística), etc. No entanto, após uma pessoa emigrar, e mesmo que retorne, experimenta-se um conjunto de sentimentos e pensamentos complexos.


Entre o primeiro/segundo ano é frequente surgir questionamentos sobre o que é pertencer, para onde se vai, o que queremos da vida, e o sentido da mesma. É possível que seja suspeito por estudar estas temáticas, no entanto, no nosso serviço é frequente ver pedidos explícitos para acompanhamento que são isso mesmo - Quero fazer sentido da minha vida, Quero perceber para onde vou, quero-me encontrar, quero perceber o que é pertencer.


Emigrar levanta o pó do que levamos como garantido na nossa vida, e que não questionamos. O que é que eu sou, como é que sou visto? O que é que eu quero na vida? Qual é o sentido disto tudo?

Somos postos em questão quando somos obrigados a sair do conforto da nossa casa. Viram-nos o mundo ao contrário, e subitamente, só o ato de falar é um esforço. E como podemos ter a certeza do que queremos, se aquilo que se vive após emigrar é completamente diferente do que vivemos onde crescemos? Sugiro a todos os viajantes (permanentes ou temporários), que invés de ignorarem esses pensamentos/emoções, aceitem e permitem-se questionar um pouco a preponderância disso - não podemos tirar a “casa” de nós.


António Tavares

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