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Por quê a tomada de decisão é precisa e preciosa?

Updated: Feb 21

Não sei como está a ser para ti mas, para mim, os dias têm voado. Entre um janeiro adormecido, despertam-se agora dias mais longos, acolhedores e tardes ensolaradas. A chegada do Carnaval aproxima dias de folia, de alegria e euforia. No meio de tanta agitação, paro e observo: como realmente estamos, entre afazeres profissionais, necessidades familiares ou deveres sociais?



Porque algumas coisas levam tempo e outras o tempo leva.

De outros tempos, em que se privilegiava a força muscular – a mão-de-obra – privilegia-se hoje a força mental – o foco é no cérebro e, de alguma forma, como se dissociado do corpo fosse. Estamos quase sempre a mil, distraídos ou "desligados-ligados", cansados. E, de outros tempos, ainda podem permanecer feridas, hábitos ou sintomas de outros mal-estares, de abuso ou sofrimento psicológico que ainda demarcam momentos como diários e presentes. E, nestes casos, para quem não está alinhado com as épocas de festa e folia, a estranheza, dúvida, sensação de não pertença ou vazio podem permanecer. Tomar certas decisões, mesmo as que parecem mais pequenas ou insignificantes, como sair ou não sair no Carnaval, pode ser esgotante, já que decidir envolve fatores como:


  • a incerteza, o desconhecimento sobre os fatos;

  • a complexidade dos vários fatores inter-relacionados a serem considerados;

  • a gestão das consequências e qual o impacto da decisão;

  • a criação de alternativas, mesmo com as suas incertezas e consequências;

  • as questões interpessoais, individuais de como cada pessoa reage/age.


É no dia-a-dia, com e nas pequenas coisas, que estimulam prazer e alegria, que podemos trabalhar para eventuais tomadas de decisão, mais importantes ou fundamentais, muitas vezes impulsionadoras de maior stress, ansiedade ou incerteza. Assim, podemos ir "cultivando o terreno" - que se quer fértil - para todas as oportunidades que possam surgir, diariamente, para fazer diferente.


O processo é complexo.

Os dados, as informações, os significados, os conhecimentos e a compreensão dos seus elementos, dependem das diferentes características individuais, influenciadas pelos vários contextos a que pertencemos. Pode ser que seja a nível profissional que as questões associadas à tomada de decisão façam mais sentido e urgência. Ou, também, na esfera pessoal, em que as relações gritam por outra forma de relacionamento.

Para qualquer contexto, tomar decisões requer disposição – também para pedir ajuda.


Não desperdices energia nem ponhas em causa a tua capacidade de decidir, em algo que não é prioritário. Delegar o que não é essencial e da própria responsabilidade pode ser transformador – pergunta-te: “quem me pode ajudar a resolver isto?”, re-focando e reforçando a atenção no que realmente importa – seja em casa, no trabalho, entre colegas ou amigos. Podes e não tens que fazer tudo e está tudo bem.

A comunicação clara, eficaz e em verdade, por mais difícil que possa parecer, é uma orientação basilar e transversal a qualquer tipo de decisão a tomar. Como comunicamos ao(s) outro(s)? E a nós próprios? E é em verdade? Ou em julgamento? Ou em medo? A possibilidade de ocorrerem distorções individuais (e, eventualmente, em maior escala) podem interferir no processo de comunicação, essencial para uma vivência plena e satisfatória da experiência pessoal, profissional e em comunidade.


Devemos ter em atenção que:

  • O “estado de humor” impacta e pode afetar como gerimos a informação;

  • diferenças entre o que queremos dizer e o que dizemos efetivamente; entre o que dizemos e como os outros ouvem e escutam; entre o que compreendem e lembram e entre o que lembram e compartilham;

  • As pessoas escutam aquilo que querem e como querem (mediante as suas vivências e experiências, pré-conceitos ou julgamentos);


O trabalho de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal potência uma maior consciência sobre os processos que (nos) ocorrem - influindo a um nível bio-psico-socio-espiritual e integral para mais bem-estar e saúde.


Porque é na nossa diferença que somos únicos e, qualquer atividade que nos permita estar mais conetados ao que nos torna singular, será sempre uma ferramenta a explorar e agregar à nossa rotina.

Exemplos: meditação, dança, atividade física, atividades criativas, atividades manuais, qualquer coisa que te faça sentido mesmo!)


Algumas coisas levam tempo e outras o tempo leva.

Estamos constantemente em mudança. Mesmo que pareça uma estável mudança e que, a "bem ou a mal", à nossa volta, as coisas permaneçam semelhantes.

Como prática para enraizar o que “leva tempo” podes experimentar o seguinte:


  • Reconhece os teus valores pessoais – como te vês e como vês o mundo;

  • Escuta o silêncio pelo corpo, dando(-te) voz; – Como são e estão as tuas dores?

  • Qual é a tua necessidade? O que te pode trazer satisfação e alegria?


Momento a momento, dia, mês ou ano a ano, também estas respostas se podem alterar. A compreensão e a atenção a como vamos estando permite-nos, face a um desafio mais inesperado ou complicado, que a tomada de decisão seja mais ajustada, natural, consciente e coincidente, com o que realmente importa em dada situação. Para te sentires mais confortável, numa tomada de decisão, para ti ou outros, podes também ter em atenção o seguinte:


  1. O ambiente espera-se acolhedor;

  2. Deves conhecer bem os detalhes, os “prós” e “contras” da situação;

  3. É necessário a criação de alternativas;

  4. É importante a exploração das opções “em cima da mesa”;

  5. É essencial uma escolha efetiva da opção; exploração de alternativas e opções;

  6. A comunicação clara da decisão;

  7. O planeamento de objetivos/metas/medidas para ação, se necessário.


Tomar decisões pode não ser sempre tão complicado. Porém é necessário, preciso e precioso porque, mediante o trabalho desenvolvido, aproxima-nos de um equilíbrio, com mais espontaneidade e criatividade, dando a possibilidade a um espaço seguro, interior, para integrarmos as nossas formas de estar, com mais sabedoria, mais intuição e saúde.

Porque, mesmo em dias de festa e folia, não tens que sentir que tens que sair para festejar. Podes preferir algum convívio mais íntimo ou apenas a tua própria companhia. Para, respira, contempla o que te dizes/ou como sentes no corpo. Se te fizer sentido, tudo está bem e isso é suficiente. Dizer "não" aos outros também é dizer "sim" a nós - as nossas necessidades, prioridades e motivações.




Carolina Oliveira Borges

Co-founder, Psicóloga Clínica e da Saúde RUMO



* Algumas referências:

LAGO, A. P. Comunicação: uma perspectiva abrangente. Disponível em:< http://www.rh.matrix.com.br/cgi-rh/bamco/db.pl>. Acesso em: 15 mar. 2001.

PEREIRA, M. J. L. B.; FONSECA, J. G. M. Faces da decisão: as mudanças de paradigmas e o poder da decisão.-São Paulo : Makron Books, 1997.



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