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Os riscos de enviesamentos cognitivos num tempo de pandemia

Vivem-se tempos que, em vez de reagir por impulso, o melhor a fazer é parar e ponderar sobre os nossos comportamentos atuais. Perceber porque estamos a fazer o que estamos a fazer. Ter em consideração o que nos é dito e agir em conformidade.



Em Portugal, como em muitos outros países, vivem-se tempos que muitos de nós não se recordam de ter vivido antes. Os alertas contínuos e sérios que são feitos têm diferentes impactos nas pessoas. Somos pessoas que sofremos com a dor, e por essa razão, afastamos-nos dela através da aplicação de diferentes estratégias.



Na base de uma grande parte dessas estratégias estão os enviesamentos cognitivos. Para quem achar que está tudo "normal" e/ou que "não me deve calhar a mim", peço-vos que parem um minuto e pensem nas seguintes ideias:


1. Achar que tudo está normal, quando, na verdade, não está, é consequência de uma confiança exagerada que temos, e que pode ser uma ilusão que criámos de forma inconsciente a fim de nos sentirmos mais confortáveis. Não há problema nenhum nisso, se (i) tivermos em consideração esse fenómeno e (ii) contrariarmos o mesmo.




2. Achar que tudo está normal porque em Portugal o número de casos nada tem a ver com as realidades vividas em outros países é errado. Isso deve-se ao que se chama de erro de representatividade. Quando nos dizem que morreram mais de 800 pessoas em Itália, mas que em Portugal há menos de 100 pessoas infectadas, estamos inconscientemente a processar informação contraditória. Outra vez, não há nada de errado nisso, se (i) tivermos consciência disso, e (ii) percebermos que o problema não existe quando chegarmos ao que está a acontecer em outros países. O problema é grave quando não temos em consideração o que está a acontecer na nossa realidade.


3. Achar que estamos em segurança e termos comportamentos de risco e continuarmos bem promove aquilo que chamamos de erro de confirmação - confirmarmos uma crença que temos. Isto é, eu penso que nada me vai acontecer, e como não acontece, está tudo bem, os outros é que são burros e estão errados. Este é de facto o mais grave que pode acontecer. É algo inconsciente, e se pensarem que um vírus como este pode não apresentar sintomatologia aguda, mas podem ser vocês, as pessoas que infectam outras pessoas, o risco é grande. Muito grande.


4. Achar que os profissionais de saúde exageram em determinados momentos, é designado como erro contra-perito. Isto é, os profissionais de saúde, por vezes falam uma linguagem que não nos é familiar, e e por essa razão, criamos de forma inconsciente uma distância dessa comunicação. É normal que tal aconteça. Mas devemos ter em consideração que se as recomendações sugerem que não se faça determinado comportamento, então tentemos perceber se estamos a querer desafiar o que nos dizem, numa posição de desafio à autoridade ou se nem estamos a perceber o que nos estão a dizer. Ambas as situações colocam-vos em risco, e aos outros à vossa volta.


Vivem-se tempos que, em vez de reagir por impulso, o melhor a fazer é parar e ponderar sobre os nossos comportamentos atuais. Perceber porque estamos a fazer o que estamos a fazer. Ter em consideração o que nos é dito e agir em conformidade.

O comportamento de uma pessoa individual num determinado grupo pode influenciar o grupo, mas também pode deixar-se influenciar. Se todos puxarmos para o mesmo lado, será, com certeza, mais fácil de obter resultados positivos.


Pensar no Outro. Trabalhar a empatia. Acreditem que é recíproco.



Francisco Valente Gonçalves

Psicólogo Forense, Co-founder & Non-executive Chairman


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