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Não mates a tua tristeza.

Estar triste é diferente de estar deprimido.


Habitualmente ouvimos que quando estamos muito tristes é porque estamos deprimidos, imprimindo logo de imediato um carimbo de que algo não está bem connosco.


Contudo, estar triste é uma capacidade saudável. É normal e expectável em algumas situações. Perante um acontecimento doloroso é sadio que tenhamos a capacidade de estar em contacto com a nossa dor emocional, isolarmo-nos com o intuito de refletirmos e darmos a nós mesmos a possibilidade de fazer diferente numa próxima vez.


Infelizmente, a nossa sociedade tem-nos ensinado que aquilo que realmente importa são as conquistas, as alegrias e êxitos e talvez por isso tenha criado um anticorpo tão grande perante a tristeza. Aliás, desafio a cada um de vós a percorrerem as vossas redes sociais e tentarem comparar a quantidade de partilhas sobre alegrias e a quantidade de partilhas sobre a tristeza.


Mas a verdade é que é muito mais saudável poder estar triste do que reagir sempre com uma fuga para a frente (sim, por vezes até pode ser uma boa defesa, mas usada em permanência pode afastar-nos do nosso verdadeiro eu). Tudo isto é muito distinto de estar deprimido! Estar deprimido implica muitas outras características, um quadro muito mais profundo e que requer um acompanhamento psicoterapêutico.


É facto que sentir tristeza é desagradável e daí que tendamos sempre a fugir dela. Mas é necessário para podermos crescer e retirar aprendizagens de situações na nossa vida que não correram tão bem. Chorar é natural, sentir angústia é natural e até a necessidade de nos afastarmos por momentos de tudo o que nos rodeia é normal.


Talvez o que tenhamos de aprender todos é a tolerar este mal-estar. Aprender a estar sozinho, aprender a escutar as sensações do corpo que daí vêm sem que isso nos assuste ao ponto de acharmos que o Mundo vai acabar ou que nós não somos suficientemente fortes para aguentar. Pelo contrário, a capacidade de sentir tristeza é um verdadeiro sinal de saúde mental e uma verdadeira demonstração de força interna.


Então... mas e o que fazer quando sinto esta tristeza? - Não a mates: deixa-a existir, deixa que ela percorra todo o teu corpo. Se as lágrimas tiverem de cair, que caiam. Se te apetecer estar só é tão válido quanto quereres estar acompanhado por alguém em quem confies.


Todos nós reagimos de forma diferente às coisas e nenhuma delas é correcta ou errada, é apenas a nossa forma de ser e é válida. Há quem goste de estar sozinho e ouvir música, por exemplo, e há quem goste de ir ter com um amigo e conversar sobre o que está a acontecer.


O mais importante é que aprendas a lidar com a tua tristeza, não a matando. E lembra-te, depois de dias difíceis vêm sempre dias melhores. A tristeza não dura para sempre!



Catarina Bragança Nobre

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