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5 dicas para aumentar a autoconfiança: olhar para trás para poder olhar em frente


A vida só pode ser compreendida, olhando-se para trás, mas só pode ser vivida, olhando-se para frente.

Esta é uma frase atribuída ao filósofo Soren Kierkegaard e encerra um mundo de verdades sobre a "real" experiência humana. A experiência é como conduzir um carro no escuro, os faróis só conseguem ver até um certo ponto, o resto desconhece-se, vai surgindo (e, a pouco e pouco, vai sendo iluminado) o caminho diante dos nossos olhos. 



Podemos saber tudo o que se passou, mas nada do que virá... Quando falamos de insegurança, necessariamente falamos de dúvida quanto à nossa capacidade para lidar com situações que estão para acontecer. Quanto “pesa” esta situação que estou a considerar, por um lado, e quanto “pesa” o que conheço dos meus recursos internos adequados para lidar com essa situação?  –  é o que (consciente ou inconscientemente) nos perguntamos. Ou seja, trata-se de uma mera projecção, resultado de uma análise, mais ou menos realista, daquilo que conhecemos do nosso passado em situações semelhantes (ou não) e do que julgamos que vá ser o desafio com que temos de lidar.


Assim, uma das questões centrais, quando surgem temas de (falta de) autoconfiança, é lembrarmo-nos que se baseiam em previsões quanto ao futuro, que são tão falíveis quanto apenas uma previsão pode ser. No entanto, e porque a parte intelectual e emocional de um indivíduo nem sempre caminham de mãos dadas, e nem sempre se escutam mutuamente, permanece a tal sensação de insegurança. E ninguém gosta de avançar sentindo a falta de confiança em si próprio a morder-lhe os tornozelos. Por isso, o mais comum, é justificarmos a inacção com esta sensação de insegurança – “eu não me sinto capaz, eu não consigo… (leia-se, por isso, não avanço)” – e começarmos à procura de uma forma de aumentar a auto-confiança ou mesmo fazer desaparecer a sensação de insegurança. 


Ora, o cérebro é um bocadinho teimoso. Por exemplo, insiste em ser ‘conservador’ quando avalia as situações. Vai ao nosso reservatório de memórias conferir se existe alguma experiência igual e, não a encontrando, ou encontrando algo de semelhante mas com resultados duvidosos, assume a atitude desconfiada de que é provável não sermos capazes de lidar com o desafio que se nos coloca. Assim, qualquer experiência que saia um pouco da nossa experiência passada ou que se assemelhe a algo que teve resultados que não consideramos como bons gera-nos “automaticamente” insegurança.


E como é que voltamos à tranquilidade? Das duas uma: ou quando desistimos ou depois de descobrir na prática que, afinal, fomos capazes. Então, outro tema importante no que diz respeito à auto-confiança, refere-se à necessidade de irmos, primeiro, criando tolerância para a sentir, sem que isso nos impeça a passada do caminho em frente, em vez de pararmos para tentar eliminá-la ou reduzi-la como condição necessária antes de prosseguir. E na prática, como é que isso se faz? Navegadores! ;)


Eis um brevíssimo guia de navegação :

  • Reconheça que é natural e mesmo saudável que a auto-confiança não seja uma convidada habitual da sua vida;

  • Procure lidar / gerir / negociar (sem necessariamente “confrontar-se”) com uma situação que lhe esteja a provocar insegurança, olhando-a nos olhos;

  • Cuide de si próprio com gentileza e bondade, e como a insegurança é desagradável procure libertar a tensão emocional da forma que melhor lhe couber;

  • Traga para a frente todo o histórico pessoal de vitórias, superações e conquistas realizadas, apesar do que tiveram de desafio ou de quota parte de medo;

  • Olhe para Trás sem se perder, sabendo que para a Frente é que podemos encontrar o caminho. Ou melhor, que podemos (re)encontrar o nosso Rumo... ;) 

E, já agora, recorde-se que o ser humano é capaz dos maiores feitos, mesmo perante adversidades, e que sobretudo é capaz de ser e de fazer coisas que nem imaginava.

Saiba que contamos com reservas e recursos que apenas precisam da acção do primeiro passo em frente (desprendido dos receios do passado) para se mostrarem em toda a sua força e qualidade. Todos somos capazes, mesmo quando “achamos” que não. 


Para terminar, gostaria de lhe falar acerca de uma lenda (que poderá servir como “bed time story” de hoje) em que participa Orfeu. É a da sua descida ao ‘Hades’ (ou o “reino dos mortos”, na mitologia clássica) à procura de sua esposa Eurídice, que havia morrido acidentalmente, picada por uma serpente. Apesar de ter descido às “catacumbas” dos infernos (metáfora para o “reino das sombras” ou as profundezas trevosas das nossas angústias e pavores), Orfeu encantou monstros, os vultos dos mortos, o barqueiro Caronte e até deuses infernais, como Perséfone. Eles aceitaram devolver Eurídice aos vivos desde que Orfeu nunca – mas nunca – olhasse para trás, no seu caminho pelo Hades, seguido por ela. Atormentado pela dúvida, Orfeu, porém, não resistiu e pouco antes de sair – apenas faltava pouco para sair (!) – olhou para trás. Eurídice retornou ao mundo dos mortos e Orfeu, para seu “castigo”, voltou só e amargurado ao mundo dos vivos… 


Não importa quantos passos você deu para trás, tenha sempre presente que o importante é quantos passos agora vai (decidir) dar em frente. 

Sara Ferreira

Psicoterapeuta e Psicóloga Clínica RUMO

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