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3 coisas que precisas de saber neste 'dia dos afetos' para mais saúde mental

O "dia dos namorados" continua a ser uma data celebrada e estimulada que nos pode envolver e colocar “entre a espada e parede” ou, neste caso, entre postais de glitter, 'ursinhos enormes' ou demonstrações pouco genuínas de afeto.



Escrever sobre amor, relações e relacionamentos são estórias indeterminadas. Tantas formas, de tantos sentires e possibilidades de estarmos em contato – em relação. Esperam-se que os relacionamentos sejam de harmonia, respeito, responsabilidade e, mediante o tipo de relação, são possíveis tantos os quantos “ingredientes” que possamos querer adicionar (e ai, as coisas podem complicar).




Comunicar e saber como fazê-lo é essencial para todo o tipo de relação. Porém, parece-

me que, por vezes, a importância da comunicação é ultrapassada por “impostos saberes” ou “deveres”. Anular a tendência que temos à aproximação e ao contato seria como como adulterar o curso da vida, dos rios ou das raízes das árvores, em prol de um “bem-mal-geral", que muitas vezes nem é nosso, enquanto escolha individual e pessoal. Pode ser bastante paradoxal parar e refletir sobre esta celebração numa sociedade desarmoniosa, em conflito e de pouco afeto.


Esta época pode ser desafiante para quem sofre ou lida com questões de doença mental e sofrimento psicológico - a celebração pode confrontar com a eventual solidão, angústia, incerteza ou medo. Pode não ser fácil, e até esgotante, quando em maior sofrimento psicológico, por indeterminada razões, "estar em relação" de forma plena e satisfatória. Em casos de psicopatologia mais severa e de diagnóstico de doença mental, as formas de relacionamento ajustam-se. As perceções alteram-se. Tudo muda. Para agravar, há que lidar com o estigma, preconceito e a discriminação associada a estar com uma doença mental ou relacionar-se com alguém que sofra com. Algumas vezes, a própria procura de um relacionamento, ou a tentativa de manter algum, mesmo que tóxico ou não saudável para o próprio, pode-se tornar sinal ou símbolo do tal sofrimento.


Como? Alguns exemplos:


  • A pessoa pode sentir que não é merecedora de mais amor, ou que é "normal" determinado comportamento abusivo ou violento;

  • O diagnóstico psiquiátrico ou de avaliação psicológica pode “abalar” a autoconfiança e a pessoa sentir que "nunca vai conseguir" estabilidade ou ser amada (p.e);

  • A pessoa pode sentir que as outras pessoas não vão compreender. Sentir vergonha e até mesmo preconceito em relação ao próprio diagnóstico ou sofrimento – levando a um maior isolamento e sentimento de solidão.


Mesmo "sem diagnóstico", hoje as relações e hábitos tóxicos estão cada vez presentes, mascaradas e muitas vezes perpetuadas. A violência é bizarra e gratuita. Cultivar uma relação saudável, ajustada e digna parece-me o grande desafio. Amar pressupõem tantos outros valores, conceitos e formas, mediante todas as nossas diferenças (individuais, sociais, culturais,...). Na fantasia, o amor parece livre. Na realidade, o amor romântico é pouco incondicional - enquanto os tamanhos dos egos ocuparem a maior parte do espaço comum, condicionam o que de novo pode surgir na relação. Igualmente, existem regras, limites e negociações a fazer. Há dar e receber. Uma liberdade, mesmo que condicional, de valores basilares e comuns ao ser humano – é fundamental uma comunicação clara, na primeira pessoa, com respeito e empatia, dignificando o outro, igual a mim, enquanto ser neste mundo compartilhado.


Não podem existir "metades" a serem complementadas e sim seres completos, íntegros, individuais e únicos, a serem somados. Qualquer encontro que possa preencher um possível vazio, falha ou falta de algo, poderá tornar-se num (des)encontro – ou até encontrão. Depois, (des)encontro em (des)encontro, "até nos habituamos" e muito do que afinal não queremos, até se torna padrão, algo "normal" ou sentido como merecido.

Estar em uma relação afetiva ou amorosa é facilitar o caminho de mais amor - principalmente amor próprio -, fundamental e anterior, a qualquer outro tipo relacionamento - nomeadamente com o outro - que se quer saudável, satisfatório e ajustado.


No fundo, é um trabalho em equipa, em parceria. Caminha-se lado a lado, nas tentativas-erros, com resiliência, com (auto)consciência e (auto)responsabilidade. Amar é reconhecer e olhar o outro, nas suas diferenças. Cresço, reconheço-me e posso também me (re)encontrar contigo. Nas tuas costas, posso ver as minhas e até podemos experimentar calçar os mesmos sapatos. Se não estiver OK para os dois, seguimos outros caminhos e está tudo bem. Que tal?




P.s.: Cuida de ti, como cuidas dos outros.





Carolina Oliveira Borges

Cofounder RUMO, Psicóloga Clínica e da Saúde

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